CARTAS DE SETEMBRO
CARTA AO MEU
BISNETO
O Meu
cenourinha
Ermesinde
Setembro de 2010
Meu querido bisneto
Fábio
Nesta
altura que te escrevo, ainda só tens dois anos e meio. A tua mãe deixa-te cá em
casa de segunda a sexta e eu e a tua bisavó, tomamos conta de ti. Logo pela
manhãzinha quando chegas, metes-te na cama junto da avó a beber o teu biberão
de leite e queres sempre ver o “Ruca” na televisão. Eu brinco muitas vezes contigo,
faço-te aviões de papel e desenhos para colorires. Tenho numa parede da sala a escala do teu crescimento com as datas da tua altura. Brincas muito na marquise
com a tua garagem cheia carros e vens sempre ter comigo, para te colocar uma
rampa que sai facilmente. Sabes de cor muitas das músicas da publicidade da
televisão, desde o “Pingo doce”ao “Preço Certo”. Andas sempre a dançar, a tua
bisavó até te chama «cú-de-rôla» pela maneira com que te maneias. Adoras tudo
que seja instrumentos de música. És tão engraçado… És um menino lindo, com teus
olhos azuis e o teu cabelo dourado, mesmo tirando algumas perrices (que ás
vezes fazes), és muito meigo e quando à noite vais embora com a tua mãe, dizes
sempre: «Chau buxinho!». Nós adorámos-te e quando não vens, a casa parece
vazia.
Na
altura que leres esta carta, já não devo cá estar, mas tenho esperança que vais
ter um futuro melhor que o nosso, melhores que dos teus avós ou mesmo os teus
tios. Sabes, é que eu nunca consegui incutir nos meus filhos e muito menos nos
meus netos, o gosto por ler, estudar e ser alguém na vida. Apesar das coisas
hoje serem mais fáceis que no meu tempo, é mais difícil noutros aspectos, não
há trabalho, fecham muitas fábricas que mandam para o desemprego milhares de
pessoas. As falências são a ordem do dia, com a crise monetária e a
globalização (é curioso, como esta palavra era tão nova para mim… Hoje deve ser
normal, infelizmente…).
Cheguei
à idade que tenho hoje (62), um pouco frustrado com muitas coisas que pensei,
que seriam diferentes. Estou a falar de sonhos que tive ou de muitas coisas que
quis fazer e não fiz. Nunca tenhas medo de investir nos teus sonhos, luta por
eles e não passes a vida a adiá-los, o tempo passa tão depressa e depois… nunca
se tem tempo. Ás vezes são pequenas coisas, que por serem pequenas pensamos
que: «Qualquer dia penso nisso!». Nunca te esqueça que a felicidade é efémera,
ela é feita de pequenos momentos. Sabes, ás vezes até um cheiro a fruta madura
na fruteira da sala, nos pode trazer à lembrança bons momentos de infância. Ou
então, uma simples música pode-nos transportar para momentos vividos em felicidade. Por
exemplo: O teu trisavô e meu pai, adorava ouvir “Fascinação”, nunca soube
porquê, mas que lhe acendia um brilho nos olhos é verdade. Eu um dia de olhos
fechados, pensei tanto em Luanda, que senti o cheiro da terra molhada secando
com o sol, depois de uma chuvava. Pensar nas coisas e tetar concretizá-las.
Adivinho
que vais ser um menino feliz, és inteligente, vais estudar e ser alguém. Teus
pais adoram-te, a tua mãe foi a minha primeira neta e apesar de teres nacido
quando ela ainda era tão nova, em demonstrado muita maturidade e responsabilidade,
tal como teu pai, um rapaz trabalhador que tenho a certeza, tudo vai fazer para
que nada te falte. És o Sol da vida deles e da nossa, só espero que quando
leres esta carta, sintas que o teu bisavô que te amou muito, seja para ti um
exemplo na tua vida, com votos de muita felicidade.
Um
beijo grande Fabinho
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